Risco de taxação trilionária na frota global impacta em fusão inédita entre setor automotivo e naval no Brasil

Às vésperas de uma mudança regulatória, que será votada na Organização Marítima Internacional (IMO) e pode impor custos à navegação mundial, o projeto brasileiro JAQ Apoio Marítimo, liderado pelo Grupo Náutica, antecipa uma solução concreta ao unir engenharia automotiva, energia e indústria naval. A iniciativa aposta em sistemas híbridos, uso progressivo de hidrogênio verde e geração de combustível a bordo para reduzir emissões, mitigar o impacto de futuras sobretaxas ambientais e acelerar a convergência entre tecnologia e regulação internacional. A primeira embarcação do projeto inicia em março um tour técnico pelo litoral do país.

Risco de taxação trilionária na frota global impacta em fusão inédita entre setor automotivo e naval no Brasil
Foto: Divulgação / Reprodução
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Março, 2026 - O setor produtivo brasileiro encontrou uma resposta técnica para a "bomba relógio" regulatória que deve atingir o mundo a partir de 2028. Diante da votação iminente na Organização Marítima Internacional (IMO) em outubro de 2026, que prevê taxar em até US$ 380 por tonelada o carbono excedente, uma aliança liderada pelo Grupo Náutica, por meio do presidente Ernani Paciornik, iniciou a execução de um projeto ousado, porém real, e que já provou que a transferência de tecnologia automotiva para o setor marítimo funciona. 

O projeto JAQ Apoio Marítimo engloba a construção do barco de 36 metros, o JAQ H1, apresentado recentemente na água na COP30 e que deve iniciar em março a sua operação após validação técnica. Ele implementa um sistema híbrido dual-fuel da alemã MAN e uma engenharia desenvolvida com apoio da indústria automotiva e de energia (GWM e Itaipu Parquetec). Toda a sua "hotelaria", ou seja, a operação interna (de iluminação a climatização dos ambientes - como um auditório para 50 pessoas) é operada por hidrogênio verde. Diferentemente de projetos puramente elétricos, o motor utiliza uma mistura de 20% de hidrogênio verde (H2V) em modelos a combustão existentes. Essa engenharia de transição reduz em 80% as emissões imediatas, uma solução que pode proteger o operador logístico contra a sobretaxa da IMO.

A usina embarcada

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A segunda fase do investimento (o novo barco de 50 metros JAQ H2, com entrega em 2027) vai ainda mais longe em seus objetivos: a autossuficiência molecular. O projeto validará a tecnologia de "eletrolisador onboard", uma espécie de posto de combustível sustentável a bordo, capaz de dessalinizar a água do mar e gerar hidrogênio dentro da própria embarcação durante a navegação.

"Isso resolve o principal gargalo da infraestrutura brasileira e de outros países: a inexistência de postos de abastecimento de H2V nos portos. O navio passa a ser sua própria ‘refinaria’", conta Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica. 

O "tour técnico" do primeiro barco, o JAQ H1, que começa em março, além de um centro de pesquisas e de educação ambiental flutuante, funcionará como uma coleta de dados de telemetria e que deve agilizar a regulamentação da Lei nº 14.948/2024, sancionada pela Casa Civil. Sem o decreto de regulamentação, R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais do programa Rehidro estão travados. 

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"Trata-se de um projeto financiado 100% pela iniciativa privada e além de estimular as pesquisas e a educação ambiental, é a solução para um passivo global de US$ 1 trilhão. A indústria naval precisa que a regulação convirja com a tecnologia, que aliás já está boiando e operando", destaca Ernani Paciornik.

O projeto JAQ Apoio Marítimo é fruto de uma aliança entre Grupo Náutica, GWM e Itaipu Parquetec. Os portos do Açu (RJ) e de Suape (PE), além do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), também dão suporte à iniciativa.


Sobre o Grupo Náutica

Com mais de 40 anos de mercado, o Grupo Náutica traz soluções em inovação, sustentabilidade, infraestrutura, eventos e comunicação na área náutica. É formado pela Revista Náutica (www.nautica.com.br), pioneira e líder no setor; o Boat Show, mais importante salão náutico da América Latina com as edições de São Paulo, Itajaí, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Foz do Iguaçu; a Metalu, maior fabricante de píeres e passarelas em alumínio do mundo; a SF Marina, especialista global em docas flutuantes de concreto e quebra-mares para marinas, portos e orlas marítimas; e o JAQ Apoio Marítimo, com projetos inovadores focados em pesquisas e sustentabilidade. O grupo também se preocupa com as questões sociais e é detentora das ações “Só Jogue na Água o que Peixe pode Comer”, assinada pelo cartunista Ziraldo, e “Por Uma Cidade Navegável”, que busca a navegação em lugares inimagináveis, assim como desenvolve os principais Guias de Turismo Náutico do país.

Site: https://gruponautica.com.br/


Fonte: Rotas Comunicação