Por que a Tabela FIPE não é o preço real do seu carro no mercado
Variáveis como quilometragem e a demanda do modelo não são consideradas pela tabela e exercem grande influência no valor final do veículo.
Quem nunca passou por isso? O dono olha a tabela FIPE, vê um valor animador, faz as contas e já imagina o dinheiro entrando na conta. Mas, na hora de negociar o carro, a proposta vem bem abaixo do esperado e a frustração é quase imediata. A sensação de que o carro “desvalorizou do nada” é comum, mas na maioria das vezes o problema não está no mercado, e sim na forma como a FIPE é interpretada. A tabela é uma das referências mais consultadas por quem vai comprar ou vender um carro no Brasil, mas confiar apenas nela pode levar a decisões equivocadas. Na prática, a FIPE funciona como um valor médio de referência, enquanto o preço real do veículo é definido pelo que o mercado efetivamente paga: o chamado valor transacionado. Um exemplo concreto ajuda a entender essa diferença.
No caso do Chevrolet Tracker 2024, versão LT, os números mostram como a realidade pode se afastar da tabela. Em São Paulo, quando o modelo entra como troca em uma concessionária na compra de um carro zero, o valor médio pago gira em torno de R$ 83.977. Já o preço de venda ao consumidor final fica próximo de R$ 102 mil. Pela tabela FIPE, porém, o mesmo veículo aparece avaliado em R$ 106 mil. Nos últimos 90 dias, houve ainda negociações com lojistas em torno de R$ 95 mil, evidenciando a distância entre o valor de referência e o preço efetivamente praticado. Os dados são da plataforma Car Invest, criada pela autotech Auto Avaliar.
A diferença acontece porque a FIPE não acompanha variáveis decisivas do mercado. “A FIPE é uma referência média, mas não representa o preço transacionado. Quem manda é a oferta e a demanda”, explica Elias Marrochel, diretor executivo da Auto Avaliar. Quando há muitos veículos disponíveis e pouca procura, o preço tende a ficar abaixo da tabela. Já em situações de alta demanda e baixa oferta, o valor pode superar a referência.
A quilometragem é outro fator determinante que a FIPE não considera. No caso do Tracker 2024, a média de carros negociados no mercado está em torno de 29.500 km. Se a concessionária analisa um exemplar com 25.000 km, revisões em dia e ainda dentro da garantia, o cenário muda. “Um carro com quilometragem abaixo da média e boa qualidade permite pagar melhor na compra, porque o risco é menor e a venda tende a ser mais rápida”, explica Marrochel. Nessas condições, o veículo pode até ser anunciado acima da FIPE, não por exceção, mas por leitura correta do mercado.
É por isso que concessionárias e lojistas não se baseiam apenas na tabela na hora de comprar um carro usado. Eles avaliam quanto tempo aquele modelo costuma ficar em estoque, o custo financeiro de manter o veículo parado, a margem necessária para a revenda e fatores externos, como lançamento de novas versões ou redução de preço do carro zero, que pressionam o valor do usado. “Comprar bem é essencial. Se o lojista paga errado, o carro não gira”, resume o especialista.
Para o consumidor, entender essa lógica ajuda a alinhar expectativa e realidade. A FIPE continua sendo importante como referência geral e parâmetro para seguros, mas não garante preço nem liquidez. Ferramentas baseadas em dados transacionais ajudam a mostrar quanto o mercado está disposto a pagar de fato, considerando região, modelo e condições do veículo.
No fim das contas, a tabela FIPE orienta, mas é o mercado que define o preço. Saber diferenciar referência de valor real é o primeiro passo para negociar melhor, seja na compra, na venda ou na troca do carro. “Quando você sai da FIPE e olha para o dado transacional, todo mundo ganha: o consumidor, o lojista e até a financeira. A informação real reduz distorções e decisões baseadas em expectativa irreais”, conclui o diretor da Auto Avaliar.
Para ter uma ideia sobre quanto está o valor transacional do seu carro, é possível acessar gratuitamente https://tabela.autoavaliar.com.br/
Fonte: Compliance